Contra a Maré com o Lopa – Ora, ora…Taxação é taxação. Subsídio é subsídio.

Quando os Estados Unidos taxam produtos, não é o país: é TRUMP.
Quando a China taxa, subsidia ou impõe restrições sanitárias ou ambientais temporárias, não é Xi Jinping, não é o Partido Comunista, não é uma estratégia de Estado. É “a China”, quase como uma entidade neutra, técnica, racional.

👆CLIQUE E OUÇA O ARTIGO👆

Curioso, não?

Mais curioso ainda é o vocabulário.
Quando vem dos Estados Unidos, com Trump, lemos taxação, protecionismo, retaliação.
Quando vem da China, lemos política industrial, estímulo, organização de mercado.
E, se possível, alguém ainda nos explica por que isso é “bom”, inclusive para nós.

Taxação é taxação. Subsídio é subsídio.
Não importa se vem de Washington, Pequim ou da lua.

A notícia da taxação chinesa à produção de carne, é uma medida protetiva escancarada, além de expor os subsídios do governo de Xi Jinping ao produtor chinês. Não há indignação. Não há alerta. Não há rugido. Há compreensão. Há relativização. Há silêncio confortável.

Leia também:

Contra a Maré com Lopa – Porque todo mundo odeia a China?
Contra a Maré com o Lopa: como o Agro sustenta o discurso de Lula contra os EUA

E o silêncio também escolhe lados.

Quando os EUA anunciaram tarifas, vimos setores da imprensa, governo e até formadores de opinião do agro rugirem como leões ferozes. Discursos inflamados, análises dramáticas, manchetes quase apocalípticas.

Mas quando a China subsidia sua produção, afetando diretamente a competitividade do produtor brasileiro, ouvimos, quando muito, um chiado. Às vezes nem isso.

O México, por exemplo, também nos sobretaxou.
Alguém lembra do barulho? Pois é.

Enquanto isso, o produtor rural brasileiro segue sendo entregue, de cabeça baixa, às chamadas “forças de mercado”. Enfrenta tudo de peito aberto: custo alto, crédito caro, insegurança jurídica, logística precária, clima imprevisível… e agora um mundo cada vez mais protecionista.

O detalhe mais grave?

Ele faz isso com o respaldo da maioria que deveria defendê-lo.

Há uma crença quase ingênua de nossos governantes, muitos formadores de opinião e até de líderes de expressão no Agro, de que o Brasil vai liderar uma espécie de cruzada moral pela “paz mundial no comércio internacional agropecuário” e, também, salvar o meio ambiente terrestre. Como se fôssemos convencer gigantes geopolíticos a abrirem mão de seus interesses nacionais em nome de um ideal abstrato.

Ser “mais realista que o rei” nunca protegeu produtor nenhum.

O mundo mudou.
O comércio mudou.
A geopolítica do alimento mudou.

Quem subsidia, subsidia para ganhar mercado.
Quem taxa, taxa para proteger o seu.
E quem não reage… paga a conta.

Está na hora de acordar.

Defender o produtor brasileiro não é ser contra este ou aquele país. É ser a favor do Brasil. Da nossa SOBERANIA. É abandonar o discurso seletivo, parar de passar pano para quem joga pesado e começar a tratar o agro como o ativo estratégico que ele é.

O produtor não precisa de aplauso.
Precisa de posicionamento.
E de gente disposta a rugir quando for necessário, independentemente de quem esteja do outro lado.

Ir contra a maré nunca foi confortável.
Mas sempre foi necessário.

 

Saiba mais:

Mentoria OnLine Empresarial para o seu Negócio no Agro
Mentoria OnLine para Produtores Rurais
Mentoria OnLine para sua Carreira

 

Fernando Lopa
Mentor para Carreiras e Negócios no Agro!
www.webrural.com.br
07/01/2026