Nesse artigo abordo uma temática que considero de extrema importância: Muitas vezes, aquilo que levou alguém a uma nova posição não será suficiente para fazê-lo ter sucesso nela.
E, para ilustrá-la, uso a transição entre consultor e gerente, como exemplo, para mostrar por que ser excelente na função atual não garante estar preparado para o próximo passo.
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Ao longo da minha trajetória como mentor, já acompanhei excelentes consultores assumindo cargos de gerência e gerentes experientes iniciando uma carreira como consultores. Em ambos os casos, vi profissionais altamente competentes enfrentarem dificuldades inesperadas, porque confundiram experiência com preparo para um novo papel.
À primeira vista, parece uma mudança natural. Afinal, ambos conhecem profundamente o negócio, participam de decisões importantes e trabalham para melhorar os resultados da empresa. Não é raro que um excelente consultor seja convidado para assumir uma gerência ou que um gerente experiente decida seguir a carreira de consultor.
O raciocínio parece lógico: se o profissional foi bem-sucedido em uma função, também terá sucesso na outra, mas, ser bom no que faz, não garante que você esteja preparado para o próximo cargo, porque consultores e gerentes geram valor de maneiras completamente diferentes.
O consultor influencia decisões. O gerente responde por elas.
É justamente nesse ponto que muitos profissionais descobrem que dominar tecnicamente um assunto é muito diferente de exercer uma nova função. Liderar significa tomar decisões difíceis, desenvolver pessoas, administrar conflitos, dar feedback, cobrar resultados e manter a equipe comprometida mesmo quando as condições não são favoráveis. São desafios que pouco têm a ver com conhecimento técnico e muito mais com comportamento, comunicação, equilíbrio emocional e responsabilidade.
Isso não significa que uma função seja mais importante do que a outra. Na verdade, elas se complementam.
Empresas que contam apenas com uma boa gestão operacional correm o risco de repetir os mesmos processos durante anos sem perceber que o mercado mudou. Por outro lado, organizações que acumulam diagnósticos, estudos e planejamentos, mas não conseguem executar com disciplina, dificilmente transformam boas ideias em resultados concretos.
No agronegócio, essa diferença fica ainda mais evidente.
Um consultor traz um olhar externo, pode desenvolver um excelente plano para aumentar a produtividade de uma lavoura, melhorar os indicadores zootécnicos ou reduzir custos. Mas, se o gerente não conseguir engajar a equipe, acompanhar a execução e corrigir desvios ao longo do caminho, o projeto dificilmente produzirá os resultados esperados. Da mesma forma, um gerente extremamente competente pode manter a operação funcionando com eficiência durante anos e, ainda assim, deixar de perceber mudanças importantes na atividade, novas tecnologias ou oportunidades de reposicionamento estratégico que um olhar externo conseguiria identificar.
É justamente por isso que muitas transições profissionais geram frustração. Não porque falte competência, mas porque mudam as responsabilidades, as habilidades exigidas e, principalmente, a forma como o sucesso passa a ser medido.
Existem profissionais que fazem essa mudança com excelência. Mas isso acontece porque compreenderam que assumir um novo papel exige desenvolver novas competências, e não apenas levar para o cargo seguinte aquilo que os tornou bem-sucedidos no anterior.
Nesses casos, costumo mostrar a quem está vivendo uma transição que, muitas vezes, a preocupação em provar que consegue exercer a nova função acaba desviando a atenção do que realmente importa, que é desenvolver as competências que o novo papel passa a exigir. Pois, entendo que a maior dificuldade de uma transição não está em realizar algo novo, mas em reconhecer que o que trouxe o profissional até ali pode não ser suficiente para levá-lo adiante.
A reflexão a seguir considero como uma das mais importantes quando falamos sobre desenvolvimento de profissionais, formação de líderes e empresas que estão formando suas equipes.
Muitas vezes, aquilo que fez alguém chegar até uma nova posição não será suficiente para fazê-lo ter sucesso nela.
O próximo passo exige não apenas experiência, mas a maturidade para reconhecer que novas responsabilidades também exigem novas competências, novos comportamentos e uma nova forma de gerar valor.
Agora eu te pergunto: você já viu um bom profissional ter dificuldade em uma nova função porque confiou demais no que já sabia fazer?
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